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Memórias em rede é destaque em coluna de A Tribuna de Santos

O Instituto Devir Educom, que entre os gestores tem professores, comemorou a data de 15 de outubro com a publicação de seu projeto mais importante, o Memórias em Rede, no jornal A Tribuna de Santos.

Motivado pelo ingresso recente do Instituto na Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD), o jornalista Ronaldo Abreu Vaio destacou, em sua coluna desse Dia do Professor, um pouco do trabalho do projeto Memórias em Rede. A matéria mostra atividades em duas escolas santistas, a Mário de Almeida Alcântara (Valongo) e a Avelino da Paz Vieira (Vila Nova), com oficinas de práticas de jornalismo sob a perspectiva da educomunicação.

Reproduzimos aqui a coluna.

Imagem da coluna do jornalista Ronaldo Abreu Vaio do jornal A Tribuna de Santos de 15/out/2020

Papo de foto em educomunicação*

30/junho/2020

A fotografia é o recorte do acontecimento, a edição do fato, a eternização do momento, a memória registrada. É informação, contexto e história. É forma de arte, expressão subjetiva, sensibilidade do ser, olho que enxerga o mundo como vê.

Na Educomunicação, ela é importante forma de expressão comunicativa e pode ser trabalhada de forma criativa nos espaços formais e não-formais de aprendizagem. Por meio dela, também pode ser trabalhada a camada da educação midiática, para que o seu consumo e a sua produção possam ser conscientes e responsáveis.

Afinal, se fotografia passa informação e conta história, a forma como ela é divulgada pode gerar interpretações equivocadas. Quanta reflexão e debate rico proporciona a fotografia, não é? E o primeiro passo é tomar conhecimento de suas técnicas. Você já ouviu falar dos três pilares da fotografia? Olha só:

Abertura + Obturador + ISO formam a exposição.

Imagem: Anderson Bianchi

Saiba como as mecânicas funcionam:

Abertura: representada pelas letras Av, também conhecida como diafragma.

Imagem: Anderson Bianchi

Fica na lente da máquina e controla a quantidade de luz até o sensor.

Obturador: famosa cortina do corpo da máquina que controla a velocidade da luz, que chega ao sensor. É representado pelas letras AT.

Imagem: Anderson Bianchi

ISO: indica a sensibilidade do sensor da câmera à luz do ambiente. Quanto maior o valor, mais granulada fica a foto.

Imagem: Anderson Bianchi

A combinação desses três componentes, mais seu olhar atento e conhecimento técnico farão toda a diferença para uma bela foto.

Aproveite e marque aquele(a) amigo(a) apaixonada por foto e seu uso nas práticas educomunicaticas.

#educomunicação #fotografianaeducomunicacao #InstitutoDevirEducom #Fotografia

*As informações bem como as imagens são do fotógrafo Anderson Bianchi.

Infância é tema do segundo PAPO [de] #Educomunicação

Esta última quinta (dia 20) foi dia de festa. Na segunda edição de nosso PAPO [de] #Educomunicação recebemos a professora e educomunicadora Silvia Santos, que coordena o Projeto Agência de Notícias Imprensa Mirim, da EMEI Cartola, onde também é docente. O Imprensa Mirim contempla crianças entre 4 e 5 anos e atua totalmente ancorado pela Educomunicação, com reportagens, cobertura de eventos e outras atividades audiovisuais.

Ela contou sobre a criação do projeto em 2017, falou de sua experiência como professora de infância (pré-escola) desde 2007, do protagonismo das crianças, das experiências e aprendizados obtidos. E também da relação tão íntima da Educomunicação com o ensino infantil, por promover a prática da escuta tanto nos alunos quanto nos professores, o protagonismo e a autovalorização, numa relação horizontalizada.

Imagem da live com a professora Silvia contando suas experiências com o Imprensa Mirim

As histórias contadas da vivência dos professores da EMEI Cartola com cerca de 70 crianças em cada período encheram de emoção tanto os entrevistadores do Instituto Devir Educom quanto os participantes, que enviaram muitos comentários e perguntas à convidada.

Silvia Santos é especialista em Mídias na Educação, licenciada em Pedagogia, professora de infância desde 2007, cujos estudos têm ênfase em experiências educomunicativas, com conteúdo de rádio escolar e produção audiovisual, desde 2011, na Educação Infantil. O Imprensa Mirim vem sendo apresentado em congressos, palestras e cursos, como modelo de Educomunicação voltado ao público infantil. Se você perdeu esse nosso segundo Papo [de] #Educomunicação, pode assistir agora em nosso canal. Aproveite e inscreva-se.

Um espaço online para reflexão e discussão sobre as interfaces da comunicação e da educação

22/julho/2020

Um papo animado, comovente e emocionante marcou a comemoração dos dois anos do Instituto Devir Educom e do Projeto Memórias em Rede, na noite desta terça (21/7), quando os educomunicadores e gestores do projeto lançaram o PAPO [DE] EDUCOMUNICAÇÃO. Trata-se de um espaço online de reflexão e de discussão sobre a comunicação no processo de ensino-aprendizagem formal e não-formal.

Este primeiro encontro contou com a participação das gestoras, dos colaboradores e do público geral interessado no tema, entre os quais a coordenadora da escola municipal (UME) Avelino da Paz Vieira, Renata Gonçalves. A Avelino é uma das instituições contempladas pelo projeto Memórias em Rede. Renata deu um depoimento comovente sobre a importância do Memórias em Rede na vida escolar e pessoal dos jovens integrantes. Segundo ela, todos os alunos envolvidos se tornaram pessoas diferentes do que eram antes e ganharam visibilidade para mostrar o que de melhor eles têm. “O projeto encoraja o aluno para ser um cidadão que tem voz. Porque eles são protagonistas, são sujeitos de ação. Eu pertenço, eu sei fazer, eu me valorizo, eu ajo”, comentou.

A coordenadora da escola Avelino falou também de sua percepção das “manchetes da semana”, uma das atividades realizadas nas oficinas. “São muitas competências que vão sendo desenvolvidas ali. Agora, quando eles trazem algum problema para a gente, eles vêm com escuta”. As “manchetes da semana” acontecem logo no início da oficina, depois dos três minutos de meditação. É um momento de ouvir e ser ouvido, quando cada um comenta o que de mais importante ou impactante aconteceu naquela semana. Mais informações das oficinas do projeto podem ser vistas neste blog e no site do Devir Educom.

O primeiro PAPO [DE] #EDUCOMUNICAÇÃO também discutiu outros projetos do Instituto Devir Educom, como o de Educação Midiática, o (RE)Aproveitar e o de formação de professores, tanto às escolas públicas quanto para as particulares. Outro assunto que rendeu comentários foi a metodologia dos círculos, desenvolvida pelo Instituto Devir Educom, que trabalha o universo dos alunos a partir de quatro perspectivas, a do Eu, da Escola, da Família e do Território, como forma de integrar a educação a todas as áreas de conhecimento e de vivência de cada um.

Para a gestora e idealizadora do Memórias em Rede, Andressa Luzirão, que também é professora e educomunicadora, o encontro ratificou o quanto é emocionante o compartilhamento das experiências com o projeto. Isso, segundo ela, fortalece a todos na construção coletiva com os alunos participantes. “Nos faz enxergar o projeto com a distância necessária para entender sua importância na formação desses meninos e meninas, além de nossa própria atuação como educomunicadores. Foi o primeiro encontro de muitos outros que estão por vir, para que possamos trocar, refletir e divulgar experiências inspiradoras realizadas por tanta gente”, ressaltou.

Outra gestora, a professora Ivone Rocha, falou do quanto é oportuno discutir educomunicação nesse momento em que tanto escolas quanto professores estão buscando se reinventar no processo da educação, sobretudo de crianças e jovens. E do quanto “a comunicação tem se mostrado imprescindível na formação de indivíduos”.

Qualquer pessoa pode participar e dar sua contribuição para o Papo. Seja por meio de comentários no canal do Youtube, enviando vídeos de projetos educomunicativos ou acompanhando as discussões, como a que aconteceu nesta terça. Os encontros virtuais, em forma de lives, acontecem uma vez por mês e terão a presença de especialistas, gestores de projetos, crianças, jovens e demais participantes de iniciativas em educomunicação. Assim como este, os próximos serão divulgados com antecedência nas redes sociais (Facebook, Instagram ou LinkedIn) do Instituto Devir Educom. Fiquem ligados!

Em meio à pandemia, Finlândia cria oportunidades em tecnologia e educação

10/ julho/ 2020

A frase “troque crise por crie” excluindo o ‘s’, muito utilizada por profissionais de marketing e vendas no Brasil, fez todo o sentido entre as empresas finlandesas que encontraram oportunidades no setor de tecnologia e educação (edtech). O fechamento em massa das escolas durante o surto pandêmico, somadas às medidas adotadas a partir de então, desencadearam esforços em larga escala para introdução imediata de um ensino alternativo. Contar com a tecnologia como apoio tornou-se uma prioridade.

Com o objetivo de tornar o conhecimento em inteligência artificial (AI) acessível a todos, a Finlândia pretende formar, entre 2020 e 2021, um por cento dos cidadãos de toda a União Europeia (EU). O curso, que é online e gratuito, tem conceitos básicos de AI, foi desenvolvido pela Universidade de Helsinque, com apoio da empresa de tecnologia Reaktor, e será oferecido em todas as línguas oficiais do continente europeu. Seu lançamento ocorreu no auge da pandemia do coronavírus na Europa.

Professores

Outras inovações surgiram no período de isolamento social, como o site Koulu.me, que apresenta soluções para professores, com acesso gratuito a conteúdo educacional. Outra iniciativa aconteceu em abril com curso online do serviço de aprendizado móvel finlandês chamado Funzi. Lançado na África do Sul, o COVID-19: Adaptar e prosperar, aborda justamente o tema. Isso provocou interesse das Nações Unidas no país africano, que pretende expandir para outras regiões do continente.

Novas oportunidades no horizonte

Os objetivos compartilhados globalmente para resolver a crise do ensino e a garantia de um futuro mais sustentável para o setor edtech resultaram em novas parcerias entre desenvolvedores finlandeses e entusiastas em educação ao redor do mundo. Acredita-se que esse tipo de conhecimento se torne solo fértil para a transição digital no setor educacional.

Outras oportunidades e iniciativas estão apresentadas no site Goodnews From Finland.

Papo de foto em educomunicação*

30/junho/2020

A fotografia é o recorte do acontecimento, a edição do fato, a eternização do momento, a memória registrada. É informação, contexto e história. É forma de arte, expressão subjetiva, sensibilidade do ser, olho que enxerga o mundo como vê.

Na Educomunicação, ela é importante forma de expressão comunicativa e pode ser trabalhada de forma criativa nos espaços formais e não-formais de aprendizagem. Por meio dela, também pode ser trabalhada a camada da educação midiática, para que o seu consumo e a sua produção possam ser conscientes e responsáveis.

Afinal, se fotografia passa informação e conta história, a forma como ela é divulgada pode gerar interpretações equivocadas. Quanta reflexão e debate rico proporciona a fotografia, não é? E o primeiro passo é tomar conhecimento de suas técnicas. Você já ouviu falar dos três pilares da fotografia? Olha só:

Abertura + Obturador + ISO formam a exposição.

Imagem: Anderson Bianchi

Saiba como as mecânicas funcionam:

Abertura: representada pelas letras Av, também conhecida como diafragma.

Imagem: Anderson Bianchi

Fica na lente da máquina e controla a quantidade de luz até o sensor.

Obturador: famosa cortina do corpo da máquina que controla a velocidade da luz, que chega ao sensor. É representado pelas letras AT.

Imagem: Anderson Bianchi

ISO: indica a sensibilidade do sensor da câmera à luz do ambiente. Quanto maior o valor, mais granulada fica a foto.

Imagem: Anderson Bianchi

A combinação desses três componentes, mais seu olhar atento e conhecimento técnico farão toda a diferença para uma bela foto.

Aproveite e marque aquele(a) amigo(a) apaixonada por foto e seu uso nas práticas educomunicaticas.

#educomunicação #fotografianaeducomunicacao #InstitutoDevirEducom #Fotografia

*As informações bem como as imagens são do fotógrafo Anderson Bianchi.

Memórias em Rede é apresentado em showcase de Educação Midiática

Gestora do Instituto Devir Educom apresenta o projeto Memórias em Rede em live da Educamídia

11/junho/2020

O Instituto Devir Educom marcou mais um ponto em sua história, com a participação de sua gestora Andressa Luzirão em curso de Educação Midiática do programa EducaMídia, da ONG Palavra Aberta. Um de seus projetos, o Memórias em Rede, já havia sido apresentado em universidades, congressos, encontro de professores, entre outros eventos.

Depois de integrar a turma do curso presencial de Educação Midiática do programa, no início de março (antes da pandemia), o Devir Educom esteve presente na live da instituição, que promoveu o Showcase EducaMídia. Nele, a professora Andressa apresentou um plano de aulas do Projeto Memórias em rede com seis encontros abordando fake news.

O plano, além de discutir o tema, trabalha na perspectiva do jornalismo, com técnicas para a criação de títulos, textos, apuração, produção e edição de uma reportagem, tendo como pano de fundo fake news. “Por meio de um assunto tão presente no nosso cotidiano, conseguimos despertar no aluno o pensamento crítico e o senso de responsabilidade no combate à desinformação, o que vai refletir em outras questões de sua vida, de sua família e de sua comunidade, o que é o propósito do projeto Memórias em Rede”, explica Andressa.

Depois de ser apresentado no showcase pela gestora do Instituto Devir Educom, o plano foi publicado no site do Educamídia e também gerou interesse do site de Educação MakerZine, do professor Rodrigo Terra, que divulgou o projeto e compartilhou o conteúdo.

Covid-19 na educação: o lado mais fraco

08/junho/2020

Quando falamos de pandemia de coronavírus, nos referimos a situações diversas de comportamento, adaptação e ressignificação. E quando isso envolve o ambiente escolar, a contextualização é ainda maior. Sim, porque nos referimos à formação de indivíduos, como no caso da escola básica, que envolve o ensino infantil, fundamental e médio. Eles compreendem o início, o meio e o fim dessa formação. Se entendermos que em algum momento da história esse vírus teria de aparecer, que bom ter acontecido agora, que temos a tecnologia a nosso favor e ao nosso lado o tempo todo. Entretanto, podemos questionar também que se surgisse em um período em que não havia dispositivos digitais, plataformas tecnológicas, aplicativos interativos, se o nível de desigualdade poderia ser menor, já que todos teriam ao seu dispor os mesmos recursos.

Tem razão a advogada Tamara Pasquali em artigo no blog do jornalista Fausto Macedo, do Estadão, de 4 de maio, quando afirma que “a tecnologia permite que o conhecimento chegue a qualquer lugar e que isso não implica solidão, e, mais ainda, que os limites da tecnologia quando acoplados às asas da educação nos levam a um universo imenso de aprendizado, mas sem permitir que a gente esqueça que bom mesmo é aprender que não estamos sozinhos”.

O fato de estarmos acompanhados (de alguma forma) já é um acalanto, porém, especialistas em educação estão preocupados que essa pandemia possa provocar o agravamento do quadro da desigualdade racial, juntando-se à social e à econômica. De acordo com artigo publicado no site do Instituto Porvir, pretos e pardos representam a maioria dos internados e mortos pela Covid-19. E 62% deles têm mais chance de perder a vida do que brancos, segundo estudo da capital de São Paulo.

Na educação, a população negra também tem mais dificuldades em permanecer na escola, segundo dados do Observatório da Educação do Instituto Unibanco e divulgado pelo Instituto Porvir. As informações dão conta de que em 2018, 27% dos jovens negros com idade entre 15 e 17 anos não estavam na escola. Entre os brancos, esse índice cai para 19%. O Porvir ouviu alguns especialistas em educação a propósito do valor da escola nessa questão da desigualdade social e nesse tema no pós-pandemia. Vale destacar que dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que a população de pretos e pardos representam 73,5% dos que estão mais expostos a viver em condições mais precárias que os brancos e que, também por isso, estão mais sujeitos a doenças como diabetes, hipertensão e asma, o que os coloca em situação de risco perante o coronavírus. 

O professor da Universidade do Texas (Estados Unidos), Marcelo Paixão, entende que a escola, ao mesmo tempo que atua na formação de um cidadão participativo e crítico, por sua estrutura social vigente, pode ser um mecanismo para perpetuar as desigualdades. Para a médica Rita Helena Borret, coordenadora do Grupo de Trabalho de Saúde da População Negra da SBMFC (Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade), esse grupo, que é mais suscetível a enfermidades, compõe o conjunto de pessoas sem acesso a saneamento básico e com mais vulnerabilidade social, estabelecido em periferias e em favelas. O artigo do Porvir, aqui mencionado e intitulado “Pandemia de coronavírus deve piorar desigualdade racial no ensino médio”, traz mais números da desigualdade, nos faz refletir sobre essa problemática e questionar sobre nosso papel na contribuição da melhoria desse desnivelamento social. Contribuir com a educação dentro e fora da escola e instituir pensamento crítico nas crianças e adolescentes pode ser uma saída importante para o futuro. 

Como professores e escolas devem se preparar para as aulas em tempos de coronavírus

06 maio 2020

No mundo inteiro o coronavírus provocou mudanças no modelo de educação adotado. Aqui no Brasil não foi diferente. Alunos e professores tentam se adaptar ao confinamento sem deixar de participar do processo de ensino-aprendizagem. Algumas escolas, como é o caso da rede municipal de Santos, anteciparam as férias escolares, enquanto preparam um plano B para continuar as aulas, sem desobedecer à determinação das autoridades públicas de isolamento social. Outras já ingressaram no mundo digital, com o ensino a distância, por meio de plataformas tecnológicas, o que acontece com as escolas públicas do Estado de São Paulo.

O que se nota é que não há muitos indícios de que o retorno ao ambiente escolar físico aconteça tão breve assim, haja vista o aumento dos casos da covid-19, com maior volume também de óbitos. E, de uma forma ou de outra, com aumento ou diminuição da doença, os professores precisam se preparar para atuar no ambiente online, já que não se sabe as mudanças que ocorrerão depois que passar a pandemia e também que o uso da mídia digital para o ensino é um caminho sem volta. Como forma de ajudar esses docentes nessa nova caminhada, o site Escolas Disruptivas preparou seis dicas para a estruturação das aulas nessas novas plataformas.

A primeira dica é pensar ideias para o plano de aulas que mescle conteúdo que possa prender a atenção do aluno e promover o aprendizado e o entretenimento dentro do ambiente online. Depois, o artigo sugere a criação de tutoriais, por parte da escola, que oriente os docentes ao que pode e ao que não pode no ambiente online, de forma a estimular a criatividade. A terceira sugestão é de se utilizar metodologias mais dinâmicas, que fujam do trivial, evitando apresentações que promovam cansaço ao aluno. Debates, uso de podcast, vídeos e outros recursos similares associado a comentários coletivos podem valer a pena.

A sugestão seguinte vai na mesma linha, que é a de mesclar conteúdos de videoconferência e lição de casa. O ideal, como propõe o artigo, é trabalhar problemas e atividades que possam estimular o raciocínio lógico. A penúltima dica é para a gestão da escola, em aproveitar melhor a comunicação online, utilizando os canais disponíveis para o relacionamento com alunos, pais e responsáveis. A última dica é a atualização constante dos métodos educacionais, aproveitando as competências dos professores para transformar as aulas com metodologias ativas que possam enriquecer o conhecimento do aluno.

O projeto Memórias em Rede do Instituto Devir Educom, além de apoiar e dinamizar o aprendizado dos alunos, auxilia professores e a própria escola com atividades educomunicativas e provoca no aluno maior interesse pela escola e valorização de seus espaços. Trabalhar a memória afetiva do aluno, com a utilização da metodologia do círculo (eu, escola, família e território), está sendo uma forma interessante de promover nesse jovem um novo olhar não apenas à escola, mas a todo o contexto social que ele está envolvido.

Como alunos e professores estão conseguindo viver na quarentena

02 maio 2020

Para quem pensa que crianças e jovens estão sem fazer nada nesse período de confinamento, saiba que a situação não é bem essa. Além das atividades online oferecidas pelas escolas públicas, sobretudo as estaduais, há jovens se mobilizando em estudos e produção de conteúdo sobre como lidar melhor com o confinamento. Procuram também entender ações de prevenção à covid-19 e cuidados com a saúde própria e dos familiares, para citar algumas. Há outros, como os estudantes do projeto Memórias em Rede, que buscam informações em noticiários de TV sobre os cuidados que se deve ter para evitar o contágio da doença.

Na Itália, segundo país oficialmente afetado pelo coronavírus, crianças aproveitam o confinamento para fazer desenhos de amigos, avós e outros parentes, os quais são obrigadas a se afastar,  como mostra reportagem do portal R7, de 25 de abril, intitulada “Em quarentena, crianças desenham o que mais sentem falta”.

Outra iniciativa vem de alunos e professores do Programa Imprensa Jovem, que pertence ao Núcleo de Educomunicação da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo (SME-SP). Por meio das mídias digitais, eles discutem a desinformação em relação à covid-19 e os problemas enfrentados com o ensino a distância. Uma das escolas da cidade de São Paulo envolvidas nesse projeto é a de Ensino Fundamental Henrique Souza Filho (Henfil). Lá, os estudantes estão atuando no Projeto Henfilmes “Oficina de cinema e produção de vídeos na escola”, como explica reportagem do site da Associação Brasileira de Pesquisadores em Educomunicação (ABPEducom), sob o título “Pandemia de coronavírus  leva imprensa jovem a produzir conteúdo especial”. Sob a orientação do professor Bruno Ferreira, os jovens fizeram uma edição especial do telejornal escolar com informações importantes sobre como se prevenir da doença, orientando ainda as pessoas para não cair nas fake news.

Os professores também são beneficiados com formação pelo Núcleo de Educomunicação da SME-SP, com um curso online, via webinar, que trata justamente das informações falsas, oferecido pela plataforma Vaza Falsiane, em quatro encontros semanais ministrados por professores da área, em vídeos. O Núcleo também dispõe para os docentes de “oficinas para criação de videoaulas, blogs e propostas para a leitura crítica da mídia, que constitui uma das áreas de intervenção da Educomunicação”, como explica matéria do portal da ABPEducom.

O coordenador do Núcleo, Carlos Lima, entende ser este um momento importante para se discutir a Educomunicação como apoio para que a comunidade escolar aumente seu direito de voz.

O envolvimento de alunos em atividade a distância é um grande desafio dos professores, que recorrem a organizações ligadas à educação para obter apoio em sugestões e ideias do que e de como fazer. Uma opção pode ser a aprendizagem ativa, por meio da qual se promove o engajamento que contribui para a retenção do conhecimento, o que vale tanto para atividades presenciais quanto online. É o que destaca texto publicado no site do Instituto Porvir, sob o título “Como promover a aprendizagem ativa durante a quarentena”, o qual cita o livro “The Fourth Education Revolution”  (A Quarta Revolução da Educação). O autor, o educador britânico Antony Seldon, entende que os estudantes conseguem lembrar e transferir aprendizagens no longo prazo quando desempenham papel ativo e dinâmico.

Os jovens do projeto Memórias em Rede do Instituto Devir Educom, da cidade de Santos, aproveitam o confinamento para se informar sobre os cuidados e a prevenção ao coronavírus. Além de acompanhar o noticiário da televisão, mantêm contato frequente com os educadores do projeto, via redes sociais digitais. A aluna Manuela, da Escola Mário de Almeida Alcântara, bairro Valongo, está ciente de que se trata de um vírus muito perigoso e que a maneira de se livrar dele é ficando em casa e tendo cuidados como lavar as mãos sempre. 

Ela diz que o que mais chamou sua atenção nesse período de isolamento social foi o número de mortes em Santos. Uma coisa é certa para ela, “nunca mais as pessoas vão esquecer de lavar as mãos, pelo menos eu estou lavando as mãos bastante. Vai ser impossível esquecer disso depois que passar essa quarentena”.

A contribuição da Educomunicação no combate à desinformação

Análise do artigo “A educomunicação na batalha contra as fake news”*

23 abril 2020

O aumento da desinformação e, em contrapartida, o acúmulo de conteúdos falsos, adulterados ou descontextualizados, sobretudo com sua veiculação pelas redes sociais digitais, vem chamando a atenção de todo o mundo. Haja vista, a influência provocada em eventos importantes como o Brexit, eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2016 e no Brasil, em 2018. Lamentam os pesquisadores Maria Cristina Castilho Costa e Anderson Vinicius Romanini, da USP, em artigo intitulado “A educomunicação na batalha contra as fake news”, que esse fenômeno negativo tenha sido descoberto de forma tardia.

A revista The Economist foi a primeira a chamar a atenção para o problema, em setembro de 2016, mas não foi suficiente para que reverberasse um alerta a todos, não impedindo, portanto, o uso de fake news nesses eventos políticos.

Outras áreas também foram afetadas por essas informações falsas, como a religiosa (em suas crenças) e de movimentos sociais (como os de identidade de gêneros, comunidade negra, de saúde pública), para citar algumas. O auge das notícias falsas ocorreu depois das denúncias de dados e interferência eleitoral americana para beneficiar e levar à Presidência o americano Donald Trump, em 2016. Na sequência, em 2017, como lembram os autores do artigo anteriormente mencionado, Google, Facebook e Twitter reconheceram a existência de robôs que produziam notícias falsas que se polarizaram entre os americanos.

Segundo o Washington Post, seis postagens veiculadas em 470 contas russas foram compartilhadas em mais de 340 milhões de vezes, gerando mais de 19 milhões de interações. Esse foi um dos casos envolvendo o presidente americano. O outro tornou-se público em 2018 quando o The New York Times noticiou que a empresa que desenvolveu a campanha de Trump se utilizou de dados roubados de milhões de usuários do Facebook para identificar perfis e adequá-los às informações veiculadas. Esses e outros casos colocaram os sites de redes sociais na berlinda como responsáveis pela veiculação das fake news.

No artigo, Costa e Romanini explicam que o termo fake news foi conceituado a partir da Comissão Europeia (CE), como ‘desinformação intencional’ gerada no sentido de promover vantagens econômicas ou para enganar o público afetado, sendo esse público composto não por leitores críticos e que buscam informação nos veículos tradicionais e considerados idôneos pela mídia, mas sim por um público geral que sacia sua necessidade de informação por meio de notícias sem a preocupação de saber suas fontes, suas origens. Reconhecem também que as fake news são veiculadas e consumidas por pessoas que nem sabem como funcionam os sistemas das plataformas digitais, às quais são usuários.

Grandes volumes de informação, conhecidos como big data, não são novos, existem desde muito antes da criação da internet. Do ponto de vista epistemológico, o big data não se resume apenas em volume extraordinário de informação, mas em produção contínua e em grande velocidade, com variedade de dados e escalabilidade. Trata-se, portanto de uma nova forma de armazenagem de dados e de sua organização. Esse dataísmo, como denominado por especialistas – e reproduzido pelos autores – se sobressai e supera sistemas rudimentares como métodos estatísticos com amostragem, por exemplo.

Dentro de todo esse universo proporcionado pelas tecnologias de informação e comunicação (TICs), o papel da educomunicação seria o de encontrar soluções para o problema das fake news, contrapondo-se à desinformação, atuando no avanço da educação e da ciência por meio da comunicação. O uso da mídia, a horizontalidade do conhecimento, a valorização do indivíduo como sujeito importante no conjunto da sociedade e como responsável pela formação da cidadania e desenvolvimento intelectual de cidadãos, fatores que propõem a Educomunicação, propiciam, automaticamente, o combate a informações falsas e reforçam o valor da comunicação sobre a educação.

Lembram os pesquisadores da USP que essa atenção com a desinformação e o poder manipulador da mensagem vem de muito longe, data do século VI a.C., com o mito da caverna de Platão, publicado no livro “A República”, no qual “um grupo de homens acorrentados em uma caverna, diante de uma parede que reflete imagens projetadas a partir do exterior, vivem amedrontados por risco de “serem confrontados por seres perigosos que os aguardam do lado de fora”. Um dos homens, que consegue sair da caverna, desvenda a ilusão e tenta avisar os outros prisioneiros que ainda se veem envolvidos pelas informações ruins, sem querer acreditar serem irreais.

Tal mito serve de alerta para os equívocos provocados pelo medo da mudança. Trata-se de um mito que serve de exemplo para a vida pública e a democracia, como chamam a atenção os autores. A semelhança com as fake news é visível. Na nossa sociedade, são fundamentais as bases em que a comunicação é produzida. “O desenvolvimento da educação e da ciência permitiu a organização de um pensamento voltado para a defesa da liberdade e da desconstrução das formas possíveis de manipulação de ideias de valores”, avaliam os autores.

A Educomunicação, que alia a comunicação nos mais variados modelos de educação, tem uma importância fundamental na redução e eliminação das notícias que desinformam. O sistema democrático é ferramenta decisória para fortalecer a Educomunicação e contribui para o combate a esse problema da desinformação, com a oportunidade para sistemas e processos que priorizam a postura crítica e participativa da sociedade.

Para referenciar essa análise, Costa e Romanini elencam três grupos de pensadores. O primeiro é composto por Walter Lippmann, para o qual, as informações gerais são de segunda mão e geram uma opinião pública que se forma por grandes agências midiáticas. Outro grupo que atua sob a égide da ideologia e que trata de questões de poder, o qual pode impedir a compreensão de valores de criticidade da vida da sociedade. Para esse grupo, os pesquisadores da USP assinalam o nome de Francis Bacon, referenciado por Karl Marx e que foi seguido por outros pensamentos marxistas como os de Theodor Adorno e Walter Benjamim, da Escola de Frankfurt. Na sequência são citados Pierre Bourdieu, Jean Baudrillard e Guy Debord (este por sua obra “A sociedade do espetáculo”, a qual espetaculariza o capitalismo em detrimento do marxismo na cultura ocidental.

O terceiro grupo relaciona-se às ciências da comunicação envolvendo o estudo da linguagem e com ela os símbolos da fala e formas de mensagem. Para isso são citados Ludwig Wittgenstein, Mikhail Bakhtin, John Austin e  John  Searle. Com essa metodologia [que valoriza o uso das palavras], expõem também as trocas simbólicas que se estabelecem na comunicação, orientando o que é dito, ouvido, observado e visto, e conduzindo nossa interação comunicativa com o outro. Tudo isso serve para libertar a sociedade influenciada pela desinformação da caverna de Platão.

Mas a contribuição da Educomunicação vai ainda mais além. Ela também se volta à defesa da liberdade de expressão e dos direitos dos cidadãos de expressar-se em todos os meios disponíveis, fatores que contribuem para o fortalecimento da democracia com as teorias da comunicação servindo de base para “uma cultura cada vez mais dialógica, diversificada e libertadora”, definem Costa e Romanini. Na América Latina (e nela o Brasil) são com frequência mencionados Jesus Martín-Barbero (Colômbia), Guillermo Orozco Gómez e Néstor Garcia Canclini (México), Mário de Andrade e Paulo Freire (Brasil). Mais recentemente, outros pesquisadores brasileiros também vem integrando o grupo, como Ismar de Oliveira Soares, Maria Aparecida Baccega e Adilson Odair Citelli.

*A educomunicação na batalha contra as fake news. Autores: Maria Cristina Castilho Costa e Anderson Vinicius Romanini, professores da Escola  de  Comunicações  e  Artes  (ECA)  da  Universidade  de  São  Paulo  (USP). Publicação da Revista Comunicação & Educação • Ano  XXIV • número 2 • jul/dez  2019. Artigo disponível em: http://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/165125/159519

A mídia e a formação de crianças e jovens

Professor britânico traz uma análise do papel da TV e da internet entre professores e estudantes

16 abril 2020

Diante de um panorama em que crianças e jovens veem mais horas de TV do que de aulas e que o consumo de mídia por esses indivíduos só perde para o tempo em que dormem, qual seria o papel da escola como orientadora? Por que é importante discutir o uso da mídia, seja internet, rádio, TV, videogames e veículos impressos, no ambiente escolar? A escola vê a TV como manipuladora, a publicidade como um meio estimulador de valores vazios e a internet como um espaço para predadores sexuais?

Em entrevista à Nova Escola, o professor britânico David Buckinghan, que é diretor do Centro para o Estudo das Crianças, Juventude e Mídia na Universidade de Londres, contesta a afirmativa de que as crianças são vítimas passivas da influência dos meios de comunicação. Para ele, que possui 30 anos de experiência com docência e formação de professores e 24 livros publicados, não é bem isso o que ocorre. “Crianças e jovens não aceitam acriticamente qualquer coisa que veem na televisão ou na internet”, justifica. Ao seu ver, eles possuem capacidade de análise que se desenvolvem com o tempo e variam de acordo com as experiências adquiridas individualmente. Além disso, para o professor, crianças e jovens resistem a indicações quando são colocadas de forma impositiva.

Na entrevista, Buckingham dá sugestões de como o professor deve lidar com essa questão e aponta aspectos bem positivos desses meios. “Propagandas costumam ter um texto muito rico, que inclui música, linguagem verbal e imagens, são complexas em termos de edição e levantam questões sobre como o público está sendo tratado”.  Ele propõe estudos e análises sobre o que a mídia apresenta e que o professor estimule o aluno a pensar sobre o anúncio, sobre a intenção de quem o fez e, com isso, criar seu próprio senso crítico.

O britânico também discorre sobre a internet e o papel do professor. E, indagado sobre se a tecnologia pode reduzir a autonomia do professor, ele não desconsidera esse risco, porém, entende que a tecnologia pode mostrar caminhos que ajudarão na comunicação entre educadores, pais e alunos.

A Educomunicação pode ser uma grande aliada do professor e do aluno diante das novas tecnologias de informação e comunicação. Por ser um campo de intervenção social que propõe a construção de ecossistemas comunicativos abertos, dialógicos e criativos, promove processos educativos horizontalizados e a partilha de saberes, tal como defende Paulo Freire. Uma das áreas contempladas pela Educomunicação é a Educação Midiática, tema em bastante consonância com os métodos de ensino aplicados nas escolas de uma forma geral e que integra, também, a atual Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

O Instituto Devir Educom oferece formação docente em Educação Midiática e acredita que a mídia pode desempenhar papel preponderante na formação de crianças, jovens e adultos. Nas atividades do projeto Memórias em Rede, que ocorrem desde 2018, os educomunicadores já obtiveram resultados positivos com adolescentes de escolas públicas, por meio do uso da mídia. E, por isso, corrobora as considerações do professor britânico David Buckinghan colocadas na entrevista concedida à Nova Escola.

Em tempos de coronavírus, cuidado com a infodemia

09 abril 2020

Você já ouviu falar em infodemia? Por que, nestes tempos de coronavírus, essa tem sido uma preocupação de educadores? O termo foi definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e refere-se à epidemia da desinformação. Embora a grande mídia venha promovendo uma avalanche de informações sobre o Covid-19, inclusive com a frequente participação de especialistas em áreas ligadas à saúde pública, as redes sociais da internet são usadas também para disseminar notícias falsas. São vídeos, áudios, fotos e textos dos mais variados sobre a China, Itália, Estados Unidos, sobre fórmulas e medicamentos com informações erradas e até desconexas sobre como evitar ou combater o vírus. “Mais do que nunca, o momento exige responsabilidade ao consumir, produzir e compartilhar informação”, ressalta texto escrito por Marina Lopes no site do Instituto Porvir, em 1º de abril.

A publicação traz comentários de especialistas em mídia e educação para explicar como a educação midiática pode contribuir para a redução dos efeitos da infodemia. Trata-se de uma série de conteúdos promovidos pelo Porvir em parceria com o EducaMídia, programa do Instituto Palavra Aberta que leva capacitação em educação midiática a professores e educadores. A presidente do Instituto, Patrícia Blanco, se mostra preocupada com o tipo de preparo da sociedade para ter criticidade na informação que recebe. E é isso o que contribui para a proliferação de fake news, ou seja, a incapacidade crítica de discernir o que pode ser real ou falso.

E isso ocorre também com crianças e adolescentes, que, nesses momentos de suspensão das aulas presenciais, têm o aprendizado da escola substituído por informações, muitas vezes, inverídicas.  Sobre isso, Blanco defende a educação midiática como a oportunidade de o jovem e o professor terem acesso à informação confiável e de qualidade. Educar pela mídia é uma maneira de prover o indivíduo de informação e conhecimento em um meio que ele está bastante familiarizado, já que os recursos da tecnologia fazem parte de sua vida cotidiana.

O Instituto Devir Educom tem a educação midiática como uma de suas frentes para as atividades que desenvolve em seus projetos, como o Memórias em Rede, que trabalha a memória afetiva de adolescentes de duas escolas públicas de Santos, como apoio às atividades curriculares dessas instituições. Veja a reportagem que trata desse tema e acesse o site do EducaMídia para conhecer melhor a educação midiática.

Equipe do projeto Memórias em Rede se reúne com as duas escolas participantes de Santos

12 março 2020

Falta pouco, muito pouco para reiniciarem as oficinas do Memórias em Rede em 2020 nas escolas públicas de Santos. Nesta segunda-feira (10) entramos na reta final dos preparativos, quando nossa equipe se reuniu com as diretoras e as coordenadoras das duas unidades de ensino.


Na UME Mário de Almeida Alcântara fomos recebidos pela diretora Ivone Barros Dantas e pela coordenadora Liliane Sampaio Feitosa Diniz. Ali, a sugestão foi ampliar o projeto para o Ensino Fundamental I, incluindo alunos mais novos. Vontade não falta, só precisamos de recursos.


Na escola Avelino da Paz Vieira, fomos muito bem recebidos pela coordenadora Renata Mateus Gonçalves e pela diretora Janaína da Silva Lamas, que reforçaram a importância do projeto como ferramenta agregadora para a formação dos jovens. Discutimos e analisamos os espaços da escola onde poderíamos desenvolver nossas atividades, destacando também o entorno da escola como territórios valiosos para a construção de ecossistemas comunicativos e dialógicos protagonizados pelos estudantes e seus pares, que são os moradores antigos da Cidade.


As atividades começam em março e muitas novidades já estão programadas. Quem tiver interesse, pode nos acompanhar nessa jornada. Entre em contato conosco.

Devir Educom é convidado a desenvolver projeto em escolas públicas paulistanas

O Instituto Devir Educom foi convidado a desenvolver o projeto Memórias em Rede em duas escolas públicas estaduais de São Paulo: a EE Professor José Bonifácio Andrada e Silva, no Jardim Romano, e a Escola Estadual Jardim Santa Ângela, em Carapicuíba. Na última segunda-feira (27/01), os educomunicadores Pedro Mendes e Ivone Rocha apresentaram em ambas as unidades a iniciativa desenvolvida desde 2018 em duas escolas municipais de Santos – as UMEs Avelino da Paz Vieira (Vila Nova) e Mário de Almeida Alcântara (Valongo).


Enquanto eles discorriam sobre conceitos de Educomunicação e as experiências vividas nas duas escolas santistas, era possível ver no olhar de professores, coordenadores e diretores a esperança de formar cidadãos íntegros, críticos, compondo uma sociedade mais justa e igualitária.


Na primeira escola visitada, a Professor José Bonifácio Andrada e Silva, o contato foi com o diretor Milton Cordeiro Bergstron Junior e o professor Claudio Fernandes. Eles ficaram muito empolgados com o Memórias em Rede, por complementar outras ações e objetivos da escola, que trabalha diversas questões sociais com seus alunos, como o empoderamento feminino e outros grupos e movimentos. Tudo por meio de atividades nas disciplinas básicas, nas eletivas e em eventos. O engajamento da unidade é observado nas áreas internas e nos muros do lado de fora, onde foram feitas ilustrações de pessoas que tiveram expressividade nesses movimentos, na comunidademe e na escola.


Já na Jardim Santa Ângela, em Carapicuíba, os educomunicadores foram recebidos por mais de 30 professores, além da coordenadora Sandra da Silva Santiago e do diretor João Eduardo Cruz Silva. Foram muitas as discussões sobre como o projeto deve ser implementado ali. Agora, as unidades vão unir frentes para viabilizar a execução do projeto e para que, assim, a parceria com o Devir seja firmada oficialmente. Porque se depender do coração, o laço já está dado!

Memórias em Rede é apresentado no USP Escola a professores da rede pública

O Memórias em Rede começa 2020 ainda mais fortalecido. Nos dias 15 e 16 de janeiro, foram os participantes do curso Escola Pública Democrática, do programa USP Escola, todos professores, que puderam conhecer o projeto e seu desempenho. Durante a tarde do dia 15 e manhã do dia 16, em palestra sob a coordenação do professor Raimundo Nonato da Silva Filho, foram compartilhadas as oficinas, o aprendizado e a evolução afetiva dos alunos do Ensino Fundamental II das escolas Mário de Almeida Alcântara e Avelino da Paz Vieira, do município de Santos.

Amparados por conceitos de Paulo Freire, Eclea Bosi, Lev Vygotsky, Ismar Soares, Adilson Citelli, Walter Benjamim, para citar alguns, os educomunicadores Pedro Mendes e Ivone Rocha, do Instituto Devir Educom, mantenedor do Memórias em Rede, destacaram os objetivos do projeto, o protagonismo, o pilar da Educomunicação, as atividades, as experiências e os resultados obtidos nesses quase dois anos de existência.

Nessa palestra no USP Escola, realizada na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, os gestores do Devir Educom falaram das ações do projeto, como a criação de uma cartografia afetiva da cidade de Santos, do protagonismo de estudantes e de moradores antigos, numa relação de descoberta da memória e do afeto, e do seu objetivo final, que é a produção coletiva de um documentário.

Foi apresentado o contexto, cujo pano de fundo é a cidade de Santos, que, como qualquer outra, possui suas histórias, seus acontecimentos notáveis, mas que, muitas vezes, esconde o valor das histórias particulares de sua gente, com suas riquezas interpostas nos aspectos mais íntimos do cotidiano. Conforme apresentaram os educomunicadores, são revelações que podem ser encontradas em um muro, uma parede, uma porta, uma praça, uma rua, com significados e valores distintos para cada pessoa que por ali vive, passa ou o tem como “seu lugar”. Daí a lembrança da citação de Walter Benjamim, para a qual o narrador, ao contar sua história, torna tal experiência a daqueles que a ouvem.

Os participantes do USP Escola conheceram o projeto na prática, o processo das oficinas e suas atividades por meio de fotos e vídeos, ilustrados pelos próprios protagonistas – os jovens estudantes das duas escolas santistas. Os gestores apresentaram ainda a metodologia dos círculos, composta pelos eixos Eu, Escola, Família e Território, que provocou positiva mudança comportamental dos alunos, maior valorização dos espaços, sobretudo o da escola, bem como dos demais agentes da comunidade escolar.

O resultado foi uma satisfação mútua, tanto dos educomunicadores em compartilhar essa experiência transformadora, quanto dos ouvintes que ficaram curiosos em saber mais.

Essa experiência nos remete ao pensamento de Vygotski (2000), para o qual a memória, do ponto de vista da semiótica, é mediada por imagens, sentimentos e ideias, constituindo-se um processo psicológico superior. Elas representam as lembranças do recordador, quando se reporta ao tempo passado. E é pela memória que o indivíduo registra o presente para que ele possa ser resgatado por meio da lembrança, como um presente ao passado. Mais do que trazer o passado ao presente, a memória contribui para o entendimento desse presente e para a construção do futuro do sujeito.

O USP Escola é um programa de formação de professores da rede pública para as mais diversas áreas, com o objetivo de apoiar na construção do processo de ensino aprendizado. Desde 2012 já formou cerca de 20 mil professores de todo o Brasil nas áreas de exatas e humanas, com destaque para processos humanísticos e de compartilhamento de saberes.

Educomunicadores apresentam o Projeto Memórias em Rede na Rádio Wind FM, 103,7

Na reta final para a conclusão dos trabalhos de 2019 do Memórias em Rede, tivemos a oportunidade de apresentar o projeto para um grande público.  Nesta terça (26/11), participamos do programa Fim de Tarde, da rádio Wind FM, na frequência 103,7.  No programa, apresentado por Osvaldo Junior, com participação do jornalista Fábio Lázaro, falamos de Educomunicação e do Memórias.

“Foi um bate-papo em que discutimos a relação da Educação com a Comunicação, como um processo dialógico que possibilita um aprendizado compartilhado, que considera os diversos ecossistemas comunicativos”, explicou a educomunicadora e idealizadora do Memórias em rede, a professora Andressa Luzirão. Segundo ela, a educomunicação é trabalhada não apenas nas escolas, mas nas sociedades em geral, por meio da horizontalidade, de modo que todos tenham não apenas seu direito de fala, mas o de ser ouvido.

Nessa mesma linha de raciocínio o educomunicador e artista Pedro Mendes ressaltou a metodologia circular, defendida por Paulo Freire e adotada pelo Instituto Devir Educom, mantenedor do Projeto Memórias em Rede. “Nas escolas, por meio do círculo, fazemos nossa meditação, para relaxar e baixar a adrenalina da sala de aula, e depois contamos nossa manchete da semana, que faz muita diferença para a continuidade dos trabalhos das oficinas. Nela, cada um conta um pouco do que de mais importante aconteceu consigo”. É dessa forma que exercitamos a prática do ouvir. Isso leva a um conhecimento mais profundo do outro e, como consequência à criação de laços afetivos.

Ao explicar as práticas das oficinas semanais do Memórias, a educomunicadora e professora Ivone Rocha, esclareceu que essa metodologia circular, o processo horizontalizado e a partilha de conhecimento adotados nas escolas têm apresentado resultados expressivos em apenas três semestres de atividades. “Hoje, tanto as diretoras, quanto as coordenadoras e até mesmo os inspetores se surpreendem com a mudança de alguns alunos, antes tidos como desagregadores, desatentos, desfocados e sem responsabilidades nos seus deveres com as disciplinas e com a escola. Alguns se tornaram líderes importantes. E isso nos dá muita satisfação e desejo de seguir adiante”.

Foram quase duas horas de bate papo descontraído no programa Fim de Tarde, que contou com a participação de ouvintes curiosos para saber como são nossas atividades e interessados em participar de alguma forma.

Agora é seguir adiante com as atividades de encerramento e buscar novas energias com a chegada de 2020 para incrementar as oficinas com as novas turmas que virão.

“Por que eu gosto do Memórias em Rede?”

Foi assim, tentando responder a essa pergunta, que muitas histórias foram lembradas, memorizadas nas mentes e tatuadas nos corações dos adolescentes das escolas santistas Mário de Almeida Alcântara e Avelino da Paz Vieira, durante as gravações e preparativos para o Festival Memorizando, atividade de encerramento do projeto em 2019. Para alguns, o Memórias em Rede despertou o interesse pelo audiovisual, para outros, ajudou no fortalecimento da autoestima. Há ainda os que encaram o projeto como uma oportunidade de atuar como jornalista e entender a problemática desse profissional da comunicação.

Veja o texto completo na página das oficinas.

Áudio foi, câmera foi… Ação!

07/nov/2019

Emoção, realização, prática de ações há muitos e muitos anos pensadas. Cidadania, participação, entre tantos outros substantivos como esses retratam o sentimento dos educomunicadores do projeto Memórias em Rede,  depois de concluídas as oficinas desta quarta (6/11) nas escolas santistas Mário de Almeida Alcântara e Avelino da Paz Vieira. Veja como foram as oficinas nesta quarta (6/11).

Responsabilidades e compromissos, esses foram os temas da última oficina

No dia 23, os jovens do Memórias se encontraram com o objetivo de validar as pré entrevistas encaminhadas no encontro passado e discutir a organização do encontro de fechamento do projeto. Depois de falarem de amor, afeto e finais de semana com a família e amigos, foram questionados sobre compromissos assumidos com o projeto na semana anterior. Como se comportaram nossos jovens com relação a esses temas? Veja agora como foi.

Memórias em Rede é apresentado em congresso da Universidade de São Paulo

18/out/2019

Nesta sexta-feira (18) o projeto Memórias em Rede foi apresentado no 1o Congresso de Ensino da Universidade de São Paulo pelas educomunicadoras Andressa Luzirão e Ivone Rocha. Esse fato foi tema de reportagem publicada no site da Prefeitura de Santos. Veja mais.

Varal de memórias afetivas da família

14/out/2019

Fotos, entrevistas, mensagens, lembranças… A família foi a pauta de mais uma oficina nas escolas municipais Mário de Almeida Alcântara e Avelino da Paz Vieira, em Santos-SP, desta quarta (9/out), pelo projeto Memórias em Rede. Foi o “varal de memórias afetivas da família”, quando todos estiveram bem concentrados com recordações dos mais variados tipos. Veja o texto completo na página das oficinas do Memórias.

Memórias em Rede na universidade

04/out/2019

Nesta segunda (30/9), o projeto Memórias em Rede se fez presente em entrevista no estúdio de vídeo da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos-SP. A idealizadora do projeto e educomunicadora Andressa Luzirão foi a entrevistada do programa dos alunos do 8º semestre de jornalismo da instituição.

Andressa falou dos laços afetivos e do sentimento de pertencimento que envolvem os jovens integrantes do projeto e que participam das oficinas semanais. Essa construção de afetos e memórias, que se baseia na Educomunicação, se vale também das “metodologias circulares”, inspiradas nas teorias de Paulo Freite, e que versam sobre a horizontalidade das relações, método utilizado em todas as atividades do projeto, com vistas ao exercício da cidadania dos jovens estudantes do Ensino Fundamental II das escolas Mário de Almeida Alcântara (Valongo) e Avelino da Paz Vieira (Vila Nova).

O projeto Memórias em Rede está em seu segundo ano, com oficinas que promovem no aluno o afeto, o respeito ao próximo, valorização da autoestima, entre outros sentimentos, expressados por meio dos recursos do jornalismo, como fotos, textos, vídeos, entrevistas, entre outros.

Duas semanas antes dessa entrevista concedida pela professora Andressa, o grupo de educomunicadores do Instituto Devir Educom – mantenedor do projeto – esteve em um bate papo na sala de aula do 8º semestre de jornalismo daquela universidade, contando um pouco sobre objetivos, metodologia e ações do Memórias em Rede em Santos. Falou também sobre a importância da comunicação, sobretudo do jornalismo, no processo de ensino e aprendizagem na educação não-formal.

Perten(Ser)

27 set 2019

Pedro Mendes*

Apregoam-se às massas, princípios norteadores de uma práxis alienante. Esta, porque alienante, é um impeditivo para que possam os sujeitos responsabilizar-se com uma práxis libertadora, ou ainda, freirianamente, como ela solidarizar-se. Esse movimento em direção a libertação, no entanto, concretiza-se ao longo de um árido e obscuro caminho, no qual os sujeitos que o percorrem, desvelam a realidade em que estão imersos. “A libertação, por isto, é um parto. E um parto doloroso’’ (FREIRE, 1987, p. 48)

Apesar de seus entraves, é possível alcançar a libertação. E o início se dá na responsabilização dos pequenos. É quase como se todos nós, educadores e gestores em educação, tivéssemos de, como Anton S. Makarenko em alguns de seus momentos na colônia Gorki, ter um ‘’surto pedagógico’’ e com isso, virar tudo às avessas.  Sem as agressões de Makarenko, o nosso surto deveria se dar no âmbito das relações de poder. Devíamos dar aos pequenos a arrogante autoridade que temos ante a eles. Ouvi-los, ou melhor, obedecê-los.

Se fizéssemos essa experiência perceberíamos como eles são bons de política. Como são capazes de gerir os espaços a que pertencem. Como são fortes. Como são unidos. Como são libertadores. A essência da libertação é uma criança empoderada. Porque empoderada, a criança, como quando se sente livre, transforma sua ação em estética, a estética vira ética, que vira ação, que vira política e por fim, uma práxis libertadora.

A gestão democrática dos espaços, deve, portanto, incluir as crianças. Partindo do momento mesmo em que possam se comunicar claramente. Principalmente nos espaços escolares. Elas têm de ser responsáveis, porque responsabilizar-se, em meio ao sistema alienante, é rebelar-se ante as amarras da ordem e da disciplina; é aviltar a força motriz do sujeito das mãos de quem destes, outrora roubaram-na, é, sobretudo, revolução.

* Pedro Mendes é educomunicador do Projeto Memórias em Rede.

Saberes e aprendizados compartilhados

25/set/2019

Repórteres entrevistando colegas. Foi assim que se resumiu a oficina desta quarta-feira (11/9) nas escolas Mário de Almeida Alcântara (Bairro Valongo) e Avelino da Paz Vieira (Vila Nova). Com isso, foi possível cada um fazer sua autoavaliação e entender quais pontos devem ser melhorados. Sem contar a diversão e as brincadeiras que tomaram conta de todos. Saiba mais como foram as atividades dos alunos.

Educomunicação e o Memórias em Rede são temas de bate-papo com alunos de jornalismo da Unisanta

O projeto Memórias em Rede foi o assunto de conversa entre os educomunicadores do Instituto Devir Educom e os alunos de jornalismo da Universidade Santa Cecília (Unisanta). O bate-papo, mediado pela professora Kátia Locatelli, aconteceu na última quarta-feira (dia 4) e explanou o tema Educomunicação, que é a base para os trabalhos do Memórias em Rede em escolas de Santos.

Uma selfie para brindar o encontro e a troca de experiências


O objetivo do encontro foi apresentar aos estudantes as mais diversas atuações do profissional jornalista no mercado de trabalho. E a Educomunicação oferece uma outra perspectiva, por ser um campo de intervenção social das interfaces entre a Comunicação e a Educação.


O tema foi contextualizado pelas atividades do projeto nas escolas santistas Mário de Almeida Alcântara (bairro Valongo) e Avelino da Paz Vieira (Vila Nova), com alunos do Ensino Fundamental II. Por meio de oficinas semanais, os jovens convivem com a memória e o afeto pela escola, família e comunidade, brincando de serem repórteres e entrevistando colegas, professores e demais profissionais das escolas, tal como sinaliza a Educomunicação, que defende o uso desses recursos com um diálogo horizontalizado no processo de ensino-aprendizagem.


Tudo isso foi comentado pelos educomunicadores Andressa Luzirão, Carol Za, Pedro Mendes e Ivone Rocha aos alunos e à professora da Unisanta. Eles falaram dos princípios que norteiam esse campo do conhecimento, que nasce, na prática, no seio dos movimentos sociais e populares da América Latina, nas décadas de 60 e 70, períodos que coincidem com governos ditatoriais. Há pouco mais de 20 anos foi reconhecido pela Academia como campo do conhecimento e ‘batizado’ pelo neologismo ‘Educomunicação’.


O grupo do Instituto Devir Educom foi muito bem recebido pelos alunos de jornalismo, alguns dos quais até demonstraram interesse em colaborar com os trabalhos nas escolas.

jovens avaliam trabalho de reportagem

Análise. Foi essa a síntese do encontro nesta última quarta-feira (4/9) dos alunos das escolas Mário de Almeida Alcântara e Avelino da Paz Vieira, integrantes do Projeto Memórias em Rede. Os estudantes se dedicaram a refletir sobre as entrevistas feitas na oficina anterior, quando, na função de repórteres, entrevistaram colegas e profissionais das escolas para entender as memórias e os afetos de cada um em relação aos espaços estudados.

Veja o texto completo na página Oficinas.

Memórias em Rede, novos voos!!!

O projeto Memórias em Rede já está ultrapassando fronteiras municipais. A partir de setembro, passa a ser desenvolvido na Escola Estadual Vereador Durval Evaristo dos Santos, na Vila São Carlos, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Essa é a terceira escola contemplada pelo projeto. Serão duas turmas, de 20 alunos cada, beneficiadas pelas atividades que trabalham a memória e o afeto de jovens em relação à escola, à comunidade, à família e à cidade de Itaquá.

Uma das propostas do projeto na escola Durval “é multiplicar o afeto, na escuta, na fala e no comportamento dos estudantes, para que haja mais compreensão acerca dos conflitos socioemocionais que eles vivem, possibilitando uma proposição dialógica e empática para sua dissolução”, explica o educomunicador Pedro Mendes. Tudo isso, permeado pela linguagem audiovisual, fomentando os princípios da Educomunicação, campo de intervenção social que sugere a inserção na educação de ecossistemas comunicativos que prezam pelo diálogo e a criatividade e que entendem a educação como um processo horizontalizado e contextualizado à realidade de quem a transmite e de quem recebe essa transmissão.

Uso da tecnologia digital

Como ferramental, serão utilizados os recursos do celular, como foto, vídeo e áudio, além de outros materiais gráficos apropriados para os alunos “brincarem de ser repórteres, fotógrafos, redatores, editores e até produtores, se descobrindo e se empoderando dos espaços, com o uso dos recursos da comunicação midiática”, justifica a educomunicadora Ivone Rocha. Sim, porque as atividades contemplam jornalismo e memória social, associados a práticas e conceitos da linguagem audiovisual.

Os encontros incluirão sensibilização dos participantes para a criação de uma cartografia social e para fortalecimento do grupo, com atividades a partir do que os estudantes propõem no coletivo e/ou trazem de devolultiva à equipe de educomunicadores. Ao final, um evento importante de memória fechará as atividades dessa primeira etapa do projeto.

Expectativa

A expectativa é muito positiva, tanto pela direção da escola quanto pelos professores, que já se programam para acompanhar as atividades do Memórias em Rede e que participam de outros projetos integradores e interdisciplinares. A diretora, professora Nadir Godoi, está bastante animada com a proximidade do início das oficinas. “O projeto pode ajudar muito a melhorar a autoestima dos jovens e contribuir para a prevenção ao suicídio, problema que vem afetando sobremaneira os adolescentes”. Para ela, o Memórias em Rede surge em um momento bastante apropriado, por ser “a oportunidade que a escola vinha buscando, no sentido de desenvolver ações voltadas à valorização da memória, do afeto e da vida desses jovens”, comenta.

As atividades do projeto na Escola Durval Evaristo começam justamente no Setembro Amarelo, quando os olhares estão voltados ao combate ao suicídio. Essa mesma expectativa positiva é compactuada pelo grupo de educomunicadores do Instituto Devir Educom, mantenedor do projeto.

A gestão da escola Durval Evaristo ocorre de forma bastante alinhada aos trabalhos do Instituto. O objetivo é auxiliar para uma educação calcada, sobretudo, num processo de ensino-aprendizagem por meio da partilha de saberes que leva em conta a estrutura familiar, o meio e o repertório do aluno e do professor, na mesma proporção, assim como defende Paulo Freire. A história de cada um dos atores deve ser o principal complemento para sustentar a formação do cidadão de hoje e de amanhã. 

A prática da reportagem

29/agosto/2019

Este título do livro do grande jornalista, Ricardo Kotscho, da década de 1980, em sua primeira edição, descreveu muito bem o espírito e o sentimento dos alunos participantes do projeto Memórias em Rede, desta quarta-feira (28/8). Foi o primeiro dia efetivamente prático da função de repórter que os alunos das escolas municipais de Santos, Mário de Almeida Alcântara (bairro Valongo) e Avelino da Paz Vieira (Vila Nova) passaram a exercer e que continuarão de agora em diante no projeto.

Veja o texto completo na página das oficinas do projeto.

Memórias em Rede participa de fórum em São Paulo que discute educação integral e democracia

Professores e gestores de instituições educacionais estiveram reunidos, nesta quarta-feira (21/8), em São Paulo, Capital, para discutir os desafios da educação integral frente às dificuldades enfrentadas por novas gestões públicas, oriundas de governos de extrema direita, como é o caso do Brasil.

O Projeto Memórias em Rede também esteve representado no evento, denominado Fórum de Educação Integral para uma Cidade Educadora. Para isso, seu grupo gestor se dividiu, já que foi o mesmo dia das oficinas de educomunicação oferecidas nas escolas Mário de Almeida Alcântara e Avelino da Paz Vieira, de Santos.

Agenda positiva

Os palestrantes Daniel Cara, professor e coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, e Maria Pilar Lacerda, ex-secretária nacional de Educação Básica do Ministério da Educação (2007-2012), discutiram os temas educação integral e democracia sob a perspectiva de uma agenda positiva para a educação nacional.

Cara, embora tenha lamentado que o Brasil está entre os países que menos se dedica à educação básica no mundo, ainda vê como positiva a agenda pública para a educação nacional. Ele justificou o pouco interesse de governos pela educação contextualizando-a à história do Brasil, desde a escravidão, quando a elite, estimulada pelo capitalismo e interessada na principal riqueza nacional, o café, desconsiderava a educação como propulsora do desenvolvimento. Ele foi citando ações de governos a governos, desde o século 19, para comprovar essa sua tese.

Entretanto, ele comenta que apesar de todas as dificuldades e carências enfrentadas nas escolas para se oferecer um ensino, com pelo menos um pouco de qualidade, foi no período de 2004 a 2012 que a educação, sobretudo a básica, foi mais valorizada. E como quase sempre houve grandes enfrentamentos, agora, com um governo despreocupado com a melhoria da educação, as lutas continuarão. O ponto positivo, em sua opinião, e que deve estimular essa continuidade, é o maior conhecimento do aluno sobre as dificuldades.  Com isso, o aluno se coloca muito mais como parceiro do professor.

A professora Pilar Lacerda destacou, como pontos positivos da educação nacional, ações extracurriculares de alunos e professores, que envolvem a família e a comunidade. O Memórias em Rede pode ser um exemplo dessa fala da ex-secretária de educação básica, por trabalhar as memórias afetivas de lugares, os quais passam a ter muito mais sentido de pertencimento aos alunos. Ela mostrou dois exemplos de atividades de alunos que conseguiram trabalhar temas como sustentabilidade, valorização pessoal e parceria ultrapassando os limites da escola. Os exemplos foram de escolas de Manaus e Belo Horizonte.

Vozes Poéticas
Grupo VOPO (Vozes Poéticas), formado por jovens da periferia de São Paulo, que externalizam seus dilemas sociais e políticos por meio da poesia, fizeram a abertura do evento

A abertura do Fórum de Educação Integral contou com 30 minutos de apresentação do grupo VOPO (Vozes Poéticas), formado por alunos do ensino fundamental II e ensino médio de escolas públicas da periferia de São Paulo. Eles interpretaram poemas de própria autoria ou de poetas e compositores famosos, em forma de rap ou de declamações. Por meio de vozes poéticas, esses estudantes trouxeram à tona temas como discriminação envolvendo feminismo, machismo, negros, homossexuais e pobres da periferia. Foram momentos de muita emoção, com jovens contando suas realidades usando para isso a poesia.

Memórias em Rede discute temas como identidade do aluno e educação inclusiva e especial

A experiência adquirida com o projeto Memórias em Rede foi o principal motivo para a entrevista da educomunicadora Ivone Rocha à Universidade Santo Amaro (Unisa), no dia 6 de agosto, em São Paulo, Capital. Foram duas entrevistas feitas pela professora Naia Veneranda, abordando os temas identidade do aluno e educação inclusiva e especial, relativos ao Ensino Fundamental II e Médio.

Questionada sobre a importância da identidade do aluno nas relações com o professor, Rocha, referenciando Paulo Freire, comentou que nem o aluno é uma tábula rasa nem o professor é um detentor do conhecimento, e que no ensino-aprendizagem ocorre na verdade uma partilha de saberes, trazidos de suas formações, tanto da família quanto da comunidade, da sociedade e da própria escola.

A formação dessa identidade é, portanto, influenciada pela família, escola e o meio. Rocha citou, na entrevista, o antropólogo Stuart Hall, para o qual as velhas identidades deram lugar a novas, fragmentando o indivíduo moderno que não é mais um sujeito unificado, ou seja, é um ser que ensina e aprende, tal como a relação entre aluno e professor. “A família exerce o principal papel na formação e integridade do indivíduo. É ela que está sempre com o olhar para uma sociedade mais justa, humana e pautada pela ética, mesmo que de forma inconsciente”, justificou.

A segunda entrevista discorreu sobre educação inclusiva e ensino especial. A educomunicadora e gestora do projeto Memórias em Rede, indagada sobre a diferença entre esses dois temas, explicou que a educação inclusiva é aquela que precisa dar acolhimento a todos os alunos no ambiente escolar, respeitando a diversidade e aprendendo com as diferenças de cada um. Já o ensino especial compreende um atendimento pela escola de alunos com algum tipo de deficiência, de forma a integrá-lo a todo o grupo.

Em relação à educação inclusiva, ressaltou que é importante que a escola considere seus princípios, quais sejam: 1. Toda pessoa tem o direito de acesso à educação; 2. Toda pessoa aprende; 3. O processo de aprendizagem de cada pessoa é singular; 4. O convívio no ambiente escolar comum beneficia a todos; e 5. A educação inclusiva diz respeito a todos.

Quanto à educação especial, para facilitar seu entendimento, Ivone mencionou o artigo 58 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº  9.394 de 20 de dezembro de 1996, que traz o seguinte esclarecimento: “Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.” 

A gestora do projeto Memórias em Rede também explicou que a formação de um professor de atendimento educacional especializado (AEE) é oferecida em diversas instituições, como associações e institutos que representam as pessoas com deficiência, como cegos, surdos, autistas, portadores de síndrome de Down, para citar alguns. E o trabalho na sala de aula deve ter a parceria de todos para que o conteúdo seja compartilhado considerando e respeitando cada educando em sua diversidade e singularidade, seja esse aluno um deficiente físico, mental ou intelectual.

Oficina de edição de vídeo em celular

O primeiro vídeo-repórter do Brasil, jornalista Paulo Castilho, gentilmente ofereceu a oficina de edição de vídeo em celular, nas duas escolas contempladas pelo projeto Memórias em Rede, as UMES Mário de Almeida Alcântara e Avelino da Paz Vieira. Veja abaixo o vídeo da oficina e saiba mais sobre as atividades.

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